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Opinião
Quarta-Feira, 30 de Agosto de 2017, 18h:48
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"A PED está aqui fora!"

Por Waldemar Gonçalves - Russo*

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Levando em consideração um certo discurso feito por um renomado político que comanda a segurança pública do MS quando ele afirmou numa reunião pública que a cidade de Dourados nunca esteve tão tranqüila e que nunca se investiu tanto nos organismos policiais da cidade como neste atual governo, comecei a pensar que estaria ficando doido varrido, pois diariamente leio em sites de notícias, jornais impressos e ouço em emissoras de rádios e vejo em telejornais inúmeros fatos que está -ou estão- acontecendo com a nossa população, e olha que muitos deles acabam sendo deixado passar batido, se não, haja fato policial.

Foto cedida

Waldemar Gonçalves - Russo - Artigo

Waldemar Gonçalves - Russo

 

É bem verdade que o índice de assassinatos -ou pistolagem- como discursou o nobre político caiu drasticamente, muito embora ainda se registre alguns casos isolados, entretanto, a de se entender que a violência em si não é somente uma pessoa -ou um pistoleiro- tirar a vida de uma outra, e o que é pior, não é a imprensa em um todo que está fabricando ela (a violência) para deixar a sociedade aflita ou com a sensação de insegurança.

A violência no meu ponto de vista não é somente assassinato.

Ela pode ser verificada no cotidiano do povo douradense que acabam sendo vitima de furto de uma bicicleta ou de moto; de um botijão de gás; de roupas do varal; de uma tentativa ou até mesmo um estupro; de uma simples briga conjugal entre outros pequenos delitos, ponto de vendas de drogas em grande escala e em qualquer ponto da cidade,

Outro índice alarmante é o número de assalto à mão armada que vem se registrando nos últimos meses também em vários pontos da cidade, aonde o principal alvo dos autores, é o comércio e transeuntes, tudo isso para mim, faz parte da falta de segurança que a comunidade vem sofrendo.

-Há, tem também os altos índices de miseráveis, mendigos, garotos de rua e o desemprego, prostituição infanto-juvenil, isso também é uma violência social, ou não ? 

Por outro lado, não se pode cobrar muito dos policiais que são (aliás, mal...!) pagos com o dinheiro público -leia-se Governo do Estado- porque é patente que eles não possuem uma estrutura adequada para trabalhar; as viaturas até que estão bem mais modernas e em ótimo estado de conservação em vista daquelas do passado; porém dizem que a cota de combustível é mínima.

Enfim, entendo que temos uma polícia comprometida com os problemas da cidade, temos sim aí a PM (Polícia Militar) que procura dentro da medida do possível fazer o seu trabalho ostensivo e a Civil que também tentar investigar os delitos e ainda contamos com o apoio da GMD (Guarda Municipal), e de vez enquanto ações do DOF (Departamento de Operações de Fronteiras) e PF (Polícia Federal) para tentar nos dar a segurança que tanto necessitamos e o tal político na maior “cara de pau” ainda propaga nas suas reuniões eleitoreiras já visando o ano que vem a sua reeleição, de que nunca se investiu tanto em (in) segurança em nossa cidade, como o atual governo.

Considerando que atualmente (hoje 29 de agosto de 2017) existem dois mil e 400 homens trancafiados e amontoados dentro da PED (Penitenciária Estadual de Dourados) cuja à sua capacidade oficial é para 732 e  bem vigiados -e alimentados- internamente por cerca de 20 agentes da AGEPEN (Agência do Sistema Penitenciário) e cerca de 12 policiais militares do lado externo 24 horas, o que daria uma média de pouco um segurança para cuidar de pouco mais de 70 detentos, chego à conclusão que é o povo ordeiro douradense do lado de fora daquelas muralhas, é quem estaria preso ou feito  refém dos marginais que agem livremente a qualquer hora e local, sem serem molestados pelas autoridades competentes, pois no presidio do semiaberto construído para abrigar 432 hoje tem pouco mais de 500, com 90 no regime aberto e 220 no semiaberto, ou seja, nas ruas de dia e a noite retorna para dormir que nem um anjo.

Considerando que a “PED está aqui fora” os números acima não me deixa mentir, pois a banalidade do crime aumenta sim a cada dia para uma cidade com pouco mais de 230 mil habitantes, é só acompanhar os fatos na imprensa local.

Baseado nos dados acima, chego à conclusão que os moradores da PED que em tese são marginalizados pela sociedade e com razão, tais como traficantes, estupradores, assassinos entre outros tipos de criminosos estão sendo muito mais bem cuidados -ou seria vigiado- do que uma dona de casa, uma criança ou um adolescente, um trabalhador, um empresário, enfim, do que o povo que esta aqui do lado de fora daquelas muralhas, só não percebe isso quem não quer, ou finge que não está vendo.

Digo aos políticos demagogos, em especial a este que diz que Dourados está bem servida de organismo policial que todos devem entender, em especial ele (o político), que o poder que o povo lhe deu é passageiro e que a sua segurança e a de sua família também esta em jogo.

Em vez de propagar que os índices de assassinatos caíram na cidade e que a imprensa ter uma parcela de culpa de da sensação de insegurança do povo, o político demagogo tem é de mostrar serviço, cobrar dos deputados, seja ele estadual ou federal, dos senadores do MS e até do Papa, que se invista mais na segurança pública douradense, caso contrário, as páginas de jornal e os rádios, via repórteres que cobrem o setor policial irão sim a continuar mostrando o dia a dia da violência que cresce na nossa cidade, seja eles crimes comuns ou aqueles que hediondos que são praticados por integrantes das facções criminosas que dominam o sistema penitenciário, essa sim, é a realidade.

Finalizando...! Como um dos mais antigos repórteres policial da cidade e hoje graças a Deus afastado das funções, quero deixar claro para o dito cujo político e a quem se ofenderem com este artigo que, não sou eu que mato, que roubo, que furto, que estupro, que surra a mulher, que vende drogas, que tira a paz da sociedade douradense, apenas estou procurando mostrar para ela (a sociedade ordeira) a realidade de nossa cidade e que eu jamais inventei notícias, apenas cumpria a dura missão de retratar elas sem demagogia ou sensacionalismo, de forma nua e crua, como acontecia ontem, hoje e sempre acontecerá.

Parei e Fui !
 


*Waldemar Gonçalves, o Russo

Por muitos anos atuei como repórter policial em rádios, TV, jornais impressos e sites de notícias

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