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Dourados participa de pesquisa nacional sobre pesquisa para cultivar grão-de-bico

Pesquisadores querem definir as melhores épocas de plantio em diversas regiões e do Estado e avaliar principais ocorrências de pragas

Flávio Brito
Capital News

Christiane Comas/Embrapa

Cultivo de grão-de-bico

Grão-de-bico é a 5ª oleaginosa mais cultivada do mundo

Dourados é uma das cidades do país que recebe os testes feitos pela Embrapa para o cultivo de grão-de-bico. O cultivo também é tema de pesquisa nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, além do Distrito Federal. A Embrapa Agropecuária Oeste, no município da região sul do Estado, é responsável pelas pesquisas desenvolvidas com o grão-de-bico e também com o cultivo da lentilha. O chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da unidade, Harley Nonato de Oliveira, explicou que essa demanda de pesquisa foi feita pelo presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes que, após uma viagem à Índia observou o potencial desse cultivo para exportação.

De acordo com as informações divulgadas pela Embrapa, as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa, no Estado de Goiás, possibilitaram que o grão-de-bico produzido naquele Estado, em 2016, fosse exportado para outros países: duas cargas de grão-de-bico, cada uma com 24 toneladas da leguminosa, foram embarcadas com destino à Colômbia e aos Emirados Árabes.

Além do mercado internacional, o grão-de-bico também possui potencial para consumo interno no Brasil. “Importamos cerca de 8 mil toneladas/ano do grão, principalmente da Argentina, Chile e México, explicou o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Oscar Fontão de Lima Filho, responsável pela condução do ensaio de pesquisa na Unidade de Dourados.

De acordo com o chefe-geral da Embrapa Hortaliças e coordenador do programa de melhoramento genético de leguminosas na instituição, Warley Nascimento, além das tecnologias disponíveis de produção, o sucesso obtido pelo produtor também deve ser creditado às características edafoclimáticas da região de Goiás. “Em áreas com altitude acima de 800 metros, em plantios realizados de abril a maio, os resultados têm sido bastante satisfatórios, com a produtividade variando entre duas a três toneladas por hectare, bem mais expressiva que a média mundial, que é de 900 quilos por hectare”, destaca Nascimento.

Oscar explica que as avaliações realizadas em Dourados representam uma fase inicial para verificar o potencial de produção no Estado, de quatro cultivares de grão-de-bico, sendo duas nacionais e duas provenientes da Índia. ’É uma cultura que se desenvolve bem sem excesso de chuvas e calor excessivo, principalmente no período reprodutivo. É importante definirmos as melhores épocas de plantio em diversas regiões de Mato Grosso do Sul, levando-se em conta a presença ou ausência de irrigação, altitude e temperaturas máximas e mínimas no período de cultivo. Também é preciso avaliar principais ocorrências de pragas e doenças e seu controle, já que as leguminosas estarão inseridas em um sistema produtivo específico para o Estado.

Colheita

A primeira colheita da safra de grão-de-bico, foi realizada no dia 24 de agosto, na Fazenda Alvorada, em Cristalina (GO). A safra é fruto de experimentos coordenados pela Embrapa, em parceria com a empresa indiana UPL e é resultado da visita de Maggi à Índia no final de 2016, quando o país mostrou interesse em importar do Brasil leguminosas de grãos secos, as chamadas pulses. Também fazem parte desse grupo o feijão-caupi, feijão-mungo, grão-de-bico e lentilha.

Na ocasião, a UPL anunciou investimento US$ 100 milhões, por meio da parceria com a Embrapa, no desenvolvimento e produção de pulses no Brasil para exportar ao mercado indiano. De acordo com a Embrapa, a demanda da Índia por esses produtos cresce de forma expressiva. A projeção é que possa chegar a 30 milhões de toneladas por ano até 2030. Como o ciclo do grão-de-bico gira em torno de quatro meses, as primeiras colheitas iniciam-se agora, entre o final de agosto e o início de setembro, e a expectativa é selecionar as cultivares com melhor adaptação às condições ambientais brasileiras.

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