Dourados/MS, Quinta-Feira, 23 de Maio de 2019 |
27˚
(67) 3042-4141
Saúde
Terça-Feira, 16 de Abril de 2019, 11h:32
Tamanho do texto A - A+

Pesquisa mostra “coquetel de agrotóxicos” em águas de cidades sul-mato-grossenses

Dentro os 27 pesticidas encontrados, 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas

Renato Giansante
De Dourados

Divulgação

Pesquisa mostra “coquetel de agrotóxicos” em águas de cidades sul-mato-grossenses

Rio Dourados abastece a maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul e sua região

 

 

Uma em cada quatro cidades brasileiras apresenta contaminação de agrotóxicos na água. Essa afirmação foi divulgada pela publicação da investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye através de uma pesquisa que está com o Ministério da Saúde e fazem parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.

 

Segundo a publicação, um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na pesquisa entre os anos de 2014 e 2017. Nesse período, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. Entre os locais com contaminação múltipla estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas.

 

A reportagem ainda cita que os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do país.

 

“Embora se trate de informação pública, os testes não são divulgados de forma compreensível para a população, deixando os brasileiros no escuro sobre os riscos que correm ao beber um copo d’água”, relata os jornalistas responsáveis pela investigação Ana Aranha e Luana Rocha.

 

Para saber o que foi encontrado em cada cidade, basta acessar o mapa desenvolvido pela Agência Pública disponível em: http://portrasdoalimento.info/agrotoxico-na-agua/

 

Em Campo Grande e Dourados, por exemplo, foram encontrados os 27 agrotóxicos, sendo 11 associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. Na capital, sete estão acima do limite considerado seguro na União Europeia. Em Dourados esse número sobre para 26.

 

“A situação é extremamente preocupante e certamente configura riscos e impactos à saúde da população”, afirma a toxicologista e médica do trabalho Virginia Dapper. O tom foi o mesmo na reação da pesquisadora em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Ceará, Aline Gurgel: “dados alarmantes, representam sério risco para a saúde humana”. Ambas em entrevista para a Agência pública/Repórter Brasil.

 

Entre os agrotóxicos encontrados em mais de 80% dos testes, há cinco classificados como “prováveis cancerígenos” pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e seis apontados pela União Europeia como causadores de disfunções endócrinas, o que gera diversos problemas à saúde, como a puberdade precoce. Do total de 27 pesticidas na água dos brasileiros, 21 estão proibidos na União Europeia devido aos riscos que oferecem à saúde e ao meio ambiente.

 

Questionado pelos jornalistas da Agência Pública sobre quais medidas estão sendo tomadas, o Ministério da Saúde enviou respostas por e-mail reforçando que “a exposição aos agrotóxicos é considerada grave problema de saúde pública” e listando efeitos nocivos que podem gerar “puberdade precoce, aleitamento alterado, diminuição da fertilidade feminina e na qualidade do sêmen; além de alergias, distúrbios gastrintestinais, respiratórios, endócrinos, neurológicos e neoplasias”

 

A resposta, porém, segundo a Agência Pública, ressalta que ações de controle e prevenção só podem ser tomadas quando o resultado do teste ultrapassa o máximo permitido em lei. E aí está o problema: o Brasil não tem um limite fixado para regular a mistura de substâncias.

NENHUM COMENTÁRIO

Clique aqui para "COMENTAR ESTA NOTÍCIA" e seja o primeiro a comentar!
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

LEIA MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO

Trinix